IFM reativa compras na Naturgy em meio a rumores de venda do GIP e ‘split’ soterrado | empresas

A IFM volta a apostar no crescimento da Naturgy. Entre os rumores de saída do GIP e com a divisão da empresa soterrada pelo Governo, o fundo australiano manda um recado claro ao mercado. Se as condições permitirem, ele está sempre disposto a aumentar seu investimento na companhia de gás e se oferece como solução para blindar a estabilidade do controle acionário.

Foi a primeira mensagem enviada pelo IFM desde que lançou sua OPA surpresa de até 22% da Naturgy. São investidores de longo prazo, com vocação para apoiar a empresa em sua transição energética. Uma espécie de Critério Australiano. E agora, no meio dos rumores da saída do GIP do capital, volta a recordar esta mensagem.

O fundo que Jaime Siles dirige em Espanha atingiu 14% do capital, informou esta terça-feira a CNMV. É um patamar que se mantém abaixo dos 17% a 22% do capital da empresa de gás à qual dirigiu a OPA há um ano. Adquiriu cerca de seis milhões de ações no mercado. Um pacote que, segundo as cotações da Bolsa, está avaliado em 151 milhões.

A IFM obteve uma modesta vitória na intrincada OPA parcial que lançou sobre a Naturgy. O fundo australiano teve de se contentar com pouco mais de 10% do capital da empresa de gás, abaixo do mínimo de 17% que foi definido como meta. Desde então, sua estratégia tem se concentrado em aproximar-se desse patamar com compras no mercado.

Desde o fim da OPA, o IFM já realizou cinco compras no mercado. A última foi há quase um ano, em março. O seu pacote de títulos na Naturgy ronda já os 3.400 milhões de euros a preços de mercado.

A IFM defende esta transação por considerá-la uma empresa atrativa e salienta que “continuará a atuar como um parceiro construtivo e de longo prazo”. Abre também portas para continuar a fortalecer-se na capital da Naturgy e no setor da energia se estiverem reunidas as condições adequadas.

O mercado especula há meses com uma possível saída dos outros dois fundos do capital. O GIP aterrissou na companhia de gás em 2016 e a CVC fez o mesmo em 2018. Passados ​​sete e cinco anos, muitos consideram que o período de investimento de ambos os fundos está mais do que concluído e ambos estão em modo de saída. A CVC, no entanto, negou que pretenda sair da Naturgy, enquanto o GIP se mantém em silêncio.

A empresa não está imune às tribulações dos acionistas. Seu plano para dar estabilidade à empresa era o chamado projeto Gemini, apresentado em fevereiro e que previa a divisão da empresa em duas. Numa empresa com activos regulados e noutra com activos liberalizados. A ideia era facilitar a saída dos recursos, para que ficassem na segunda parte e explorassem uma venda mais simples.

No entanto, a crise no mercado de gás obrigou a empresa a congelar a transação. Mas então foi o governo que colocou os pregos no caixão. A Terceira Vice-Presidente e Ministra da Transição Ecológica, Teresa Ribera, em entrevista ao Cinco diasdisse exaustivamente que o Governo rejeitou a operação neste contexto e considerou mesmo que punha em risco a estabilidade financeira da empresa.

Isso obrigou as partes a buscar uma solução. A IFM, ao lançar a OPA, levantou as suspeitas do maior acionista da Naturgy, a Criteria. No entanto, agora o fundo australiano conseguiu colocar preto no branco que seu perfil não é agressivo. A holding presidida por Isidro Fainé mudou a sua disposição e no meio desta conjuntura saúda o seu reforço no capital.

A operação conhecida ontem pelo IFM nada mais é do que colocar o sinal do comprador. Se as condições forem favoráveis ​​e o preço considerado adequado, o fundo australiano poderá receber pelo menos parte das cotas do GIP, pois já é um investidor confortável para a Criteria. Também para o Governo, que apenas teria de se referir às condições que colocou na OPA para a autorizar no verão de 2021.

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