O que se sabe até agora sobre o assalto à Presidência, Congresso e Supremo Tribunal Federal no Brasil | Internacional

Apoiadores de Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, na sede da Presidência, em Brasília, neste domingo.
Apoiadores de Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, na sede da Presidência, em Brasília, neste domingo.SÉRGIO LIMA (AFP)

Pouco antes das 15h no Brasil, milhares de manifestantes se reuniram sem aviso prévio na Esplanada dos Ministérios, no centro de Brasília, e invadiram os prédios do Congresso, do Poder Executivo e do Supremo Tribunal Federal. As salas estão separadas por apenas algumas dezenas de metros, ao redor da Plaza de los tres poderes. Há uma semana, naquele mesmo local, cerca de 300 mil pessoas participaram do juramento como presidente de Luiz Inácio Lula da Silva. As pessoas que invadiram o local neste domingo responderam, em vez disso, ao ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, derrotado por Lula nas urnas.

Quem realizou o assalto?

Os bolsonaristas estão acampados há dois meses em frente ao quartel-general das Forças Armadas em Brasília para exigir um golpe contra Lula. Consideram-se vítimas, sem qualquer prova, de uma colossal fraude eleitoral. A tese dos atacantes é a mesma de Bolsonaro, que não reconheceu derrota e sempre defendeu as manifestações de seus seguidores. Neste domingo, os campistas decidiram entrar em ação.

Que consequências teve?

A polícia, não esperando o ataque, foi rapidamente dominada. Os manifestantes entraram sem problemas na sede do Congresso, no Palácio do Planalto – sede do Poder Executivo – e no prédio que abriga o Supremo Tribunal Federal. Lula não estava em Brasília no momento e o Parlamento está em recesso de verão (retorna suas atividades em fevereiro), portanto não há vítimas ou feridos. As imagens da televisão mostram danos materiais nas instalações da sede institucional.

Como Lula respondeu?

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Lula da Silva anunciou em entrevista coletiva a intervenção federal em Brasília, nas mãos de um governador próximo a Bolsonaro. O decreto pressupõe que o governo central assuma o controle da segurança. Lula rotulou os agressores de “fascistas” e acusou Bolsonaro de convocar a violência contra a democracia brasileira. Ele também prometeu que vai atacar os “financistas” da revolta.

Qual tem sido a reação internacional?

Acrescentam-se os repúdios internacionais ao ataque de Bolsonaro. Os presidentes da América Latina, da OEA, dos Estados Unidos, da Espanha e da França enviaram seu apoio a Lula e convocaram a defesa da democracia na maior economia da região. Os golpistas estão sozinhos, sem apoio externo, muito menos internamente: as Forças Armadas ficaram em silêncio e conhecidos políticos de Bolsonaro se manifestaram contra o que chamaram de ataque “terrorista”. Bolsonaro permanece calado dos Estados Unidos, para onde viajou no dia 30 de dezembro para evitar participar da passagem de comando para seu sucessor.

Como terminou o assalto?

Após cinco horas de operação, a polícia retomou o controle do Congresso, do Palácio do Planalto e da sede do Supremo Tribunal Federal. Pelo menos 200 pessoas foram presas. Eles agora enfrentam até 12 anos de prisão por tentativa de golpe. Os estragos dentro dos prédios são importantes, segundo reportagens dos telejornais brasileiros. Vidros quebrados, escritórios vandalizados, papéis por toda parte: a imagem de uma invasão.

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